PF abre inquérito para investigar se filho de Lula praticou tráfico de influência e corrupção para beneficiar o Careca do INSS

A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar se Lulinha, filho do presidente Luís Inácio Lula da Silva, praticou os crimes de tráfico de influência e corrupção para beneficiar o Careca do INSS em negociações com o Ministério da Saúde. O procedimento foi autorizado nesta quinta, 30, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.

Segundo os investigadores, a investigação busca esclarecer se Lulinha atuou em parceria com a empresária Roberta Luchsinger, sócia da RL Consultoria, para favorecer os interesses da World Cannabis. A empresa é ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, um lobista apontado como um dos operadores centrais do esquema de fraudes nos descontos de aposentados .

A Polícia Federal aponta indícios de que o tráfico de influência teria sido exercido não apenas junto ao Ministério da Saúde, mas também junto ao gabinete da Presidência da República. O pedido de 34 páginas enviado ao STF cita contatos entre os alvos da investigação e servidores públicos, inclusive integrantes da equipe do chefe do Executivo .

As apurações tiveram como ponto de partida mensagens e movimentações financeiras identificadas durante a Operação Sem Desconto.

Os dados revelaram pagamentos feitos por firmas ligadas a Antunes à consultoria de Roberta Luchsinger, totalizando R1,5milha~odivididosemcincoparcelasdeR1,5 milhão divididos em cinco parcelas de R1,5milha~odivididosemcincoparcelasdeR 300 mil. Em uma das mensagens apreendidas, o lobista afirma que uma transferência de R$ 300 mil seria destinada ao “filho do rapaz”, uma referência que os agentes da PF buscam confirmar como sendo direcionada a Lulinha.

O papel de Roberta Luchsinger

Roberta Luchsinger figura como um elo central na investigação, sendo amiga de Lulinha e herdeira de um ex-acionista do antigo banco Credit Suisse. Em depoimento à PF em maio, ela afirmou que prestou serviços de consultoria a Antunes relacionados à regulação do mercado de canabidiol no Brasil, com o objetivo de viabilizar um contrato no Ministério da Saúde para disponibilizar os medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS). O plano, no entanto, não foi adiante .

Em sua oitiva, a empresária negou ter repassado qualquer valor a Lulinha, afirmando que o filho do presidente não prestou serviços remunerados. Ela relatou que apresentou Lulinha ao lobista antes da deflagração da Operação Sem Desconto e que o filho do presidente demonstrou “curiosidade” pelo assunto porque alguns de seus familiares faziam tratamento com medicamentos à base de cannabis. A viagem de Lulinha à Europa em novembro de 2024, que teria sido paga por Antunes, teria sido um convite para conhecer a produção dos medicamentos .

Contudo, registros apreendidos pela PF indicam que Luchsinger orientou Antunes a descartar telefones celulares após uma busca e apreensão, ação que a corporação descreveu como essencial para a ocultação de patrimônio e lavagem de capitais .

Tramitação no STF e reações da defesa

O pedido da PF foi enviado ao STF durante o recesso do Judiciário. Inicialmente analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, o caso passou pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que opinou pela redistribuição do inquérito por considerar que os fatos não tinham relação direta com a Operação Sem Desconto. Após sorteio, a relatoria coube ao ministro André Mendonça.

A defesa de Lulinha, representada pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, reagiu prontamente à decisão. O advogado classificou a apuração como uma “fishing expedition” (pesca probatória), argumentando que a Polícia Federal já havia realizado diligências e quebras de sigilo sem encontrar qualquer irregularidade. “A Polícia Federal sabe que não há nada contra Fábio. Talvez esteja realizando uma fishing expedition”, afirmou Marco Aurélio .

A defesa de Roberta Luchsinger também se manifestou, informando não ter sido comunicada sobre o novo inquérito e criticando a reabertura de apurações às vésperas do processo eleitoral, o que classificou como uma tentativa de “investigação em melhor de três” com motivações políticas .

Já o presidente Lula abordou o tema em um podcast na mesma quinta-feira. O petista afirmou que o filho “jura todo dia” não ter cometido irregularidades, mas frisou que ele “não tem o direito de errar” por ser filho do presidente. “Se for culpado, ele vai ter que pagar como todo mundo”, declarou Lula.